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16 DE ABRIL DE 2021
Jornal VS – Após março trágico, região registra mais mortes que nascimentos pela primeira vez

O salto no número de mortes decorrentes da Covid-19 ocorrido no mês de março provocou um fenômeno inédito na região. Embora nenhum dos cinco municípios de circulação do Jornal VS impresso – São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio, Portão e Capela de Santana – tenham sofrido com filas em cartórios para registros de óbitos como aconteceu em Porto Alegre, por exemplo, o número de mortes registradas na região no mês de março foi 20% maior que o número de nascimentos ocorridos no mesmo período.

Conforme dados do Portal da Transparência do Registro Civil, o Rio Grande do Sul todo também atingiu uma marca histórica em março. Pela primeira vez desde o início da contabilização dos dados, em 2003, o Estado registrou mais óbitos que nascimentos. Com 15.802 mortes e 11.971 nascimentos, a diferença entre ambos ficou em 3.831 atos, o equivalente a 24% de óbitos a mais do que nascimentos, e uma redução de 71% na diferença entre ambos desde o início da pandemia em março de 2020.

No País, a elevação das mortes em março provocou um fenômeno inesperado: a aproximação recorde entre os números de nascimentos e óbitos, que atingiu o menor patamar da série histórica. Com 227.877 nascimentos e 179.938 óbitos, a diferença entre ambos ficou em apenas 47.939 atos, o que equivale a 27%, e uma redução histórica de 72% desde o início da pandemia em março de 2020.

Planejamento familiar

O presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Rio Grande do Sul (Arpen/RS), Sidnei Hofer Birmann, destaca que, além da pandemia, o planejamento familiar é outro fator que influencia na oscilação dos registros. “É uma situação inédita, influenciada por dois fatores. A pandemia, que está impactando no número de óbitos. E outro fator é a questão do planejamento familiar. As pessoas se programam para ter filhos em um momento ideal. Acredito que neste último ano, as pessoas postergaram este sonho, por motivos como insegurança, desemprego, queda de renda. Estes são fatores que determinaram uma redução do número de nascimentos”, avalia.

Coronavírus

Os dados do Registro Civil apontam, também, que 54% dos 15.185 óbitos provocados por algum tipo de doença registrados no Estado até a segunda-feira, 12 de abril, foram provocados pela Covid-19. Na nossa região, desde o início da pandemia, já foram registradas mais de 1.200 mortes decorrentes do coronavírus. Do mesmo modo, o mês de março segue como recordista de óbitos e contaminações pela doença. Das 648 mortes registradas em março deste ano entre os cinco municípios, 374 foram ocasionadas pela doença, o que representa 58% do total.

No ápice da primeira onda de contaminações pela Covid-19 no Estado, em julho de 2020, o número de óbitos pela doença chegou a representar 15,7% das mortes por causas naturais no Rio Grande do Sul. Em dezembro, estes registros voltaram a crescer, representando 23,9% dos óbitos por doenças, com uma pequena queda em janeiro (20,8%) e um crescimento em fevereiro (25,1%). Ao atingir 54,4% das mortes por doenças entre gaúchos, a Covid-19 quase dobra seu impacto no total dos óbitos naturais em relação a fevereiro passado, até então o mês mais mortal durante a pandemia de coronavírus.

Esteio e Sapucaia lideram alta de óbitos

A nossa região registrou, no mês de março, 517 nascimentos e 648 falecimentos, o que representa uma alta de 20% nas mortes. Em comparação com o mês de março de 2020, quando a região teve 305 nascimento e 217 mortes, foram 69% mais nascimentos em 2021, mas em compensação, as mortes foram 197% mais volumosas. Em São Leopoldo, o mês de março teve 248 nascimentos e 265 mortes.

No ano passado, foram 157 nascimentos e 108 óbitos, um aumento de 58% nos nascimentos e de 145% nos falecimentos na comparação. Em Sapucaia do Sul, foram registrados 139 nascimentos e 200 óbitos no mês de março. No mesmo período de 2020, a cidade teve 78 nascimentos e 58 mortes. Na comparação do último ano, o município teve alta de 78% nos nascimentos e de 245% nos falecimentos.

Esteio registrou em março 88 nascimentos e 116 mortes. Em 2020, a cidade registrou 49 bebês e teve 28 óbitos. No comparativo com 2021 houve uma alta de 79% nos nascimentos e de 314% nas mortes, o mais elevado índice da região. Em Portão, março teve 34 nascimentos e 51 mortes, contra 20 nascimentos e 17 óbitos em março de 2020, uma alta de 70% nos bebês e de 200% nos óbitos. Capela aumentou 166% os óbitos.

Serviços funerários não tiveram represamento

Embora o número de mortes tenha atingido patamares altíssimos, o setor funerário não chegou a ter o atendimento prejudicado pela alta procura. “Que há uma alta na demanda, é inegável, em especial nas principais cidades. Mas não há represamento. As funerárias estão absorvendo, até porque são estruturadas e contam com profissionais treinados e comprometidos. Não há família que tenha ficado sem atendimento”, colocou o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Funerários do Rio Grande do Sul (Sesf-RS), Valdir Gomes Machado. “O que mais nos preocupa hoje é que municípios como Porto Alegre ainda não vacinaram os agentes funerários, mesmo que estejamos no grupo de prioritários. É preciso celeridade”, ponderou.

Setor passou por adaptações na pandemia

Machado lembra que a pandemia impôs ao setor uma série de adequações, mas que como o segmento é organizado e estruturado, a adaptação se deu rapidamente. Entre as mudanças está a necessidade de os agentes funerários, que trabalham com o manejo de corpos, usarem equipamentos de proteção. O presidente da Associação Sulbrasileira de Cemitérios e Crematórios e diretor do Cemitério Parque Jardim da Paz, Gerci Fernandes, analisa que o setor tem mantido o serviço oferecido. “Até o momento, estamos conseguindo atender tanto sepultamentos, quanto cremações. Porque estamos preparados para isso, nós somos um modelo para o País”, destacou, comentando que o aumento de óbitos foi surpreendente.

Fonte: Jornal VS

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